segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Pelo embargo imediato da obra na Casa das Onze Janelas !



Desde 2016, a sociedade civil vem resistindo às tentativas de transformar a Casa das Onze Janelas em um polo gastronômico, o que garantiu inclusive a sua permanência como espaço museal.
No entanto, a nova gestão estadual ao retomar o projeto de polo gastronômico, recua na tentativa de retirar o museu de arte contemporânea da Casa mas resolve expandir o espaço do  conjunto em prejuízo dos jardins e áreas abertas e causando grave impacto sobre a ambiência e legibilidade do bem tombado, numa clara privatização de um dos mais belos espaço de uso comum e contemplação da população.
A intervenção em curso feita pela SECULT privilegia exclusivamente a ampliação do espaço para exploração econômica  em detrimento do respeito à estrutura pretérita que deve ser vista em seu conjunto, ainda que o anexo seja mais recente, está perfeitamente integrado no conjunto, não comprometendo a visibilidade do prédio principal.

A pesada estrutura metálica agride o conjunto, em decorrência da estrutura desproporcional, da inserção de pilares que poluem  a simplicidade da estrutura anexa e por conseguinte impactam diretamente na percepção do antigo Hospital Real Militar. A sequência de pilares e conexão com a cimalha também estão à olhos vistos incidindo negativamente, pois o beiral perde sua leitura visual com a inserção da nova cobertura metálica.

A estrutura torna-se desnecessária em um contexto de preservação da paisagem cultural, primeiro porque existem outras formas de proteção dos usuários externos, como o uso de ombrelones como tem sido feito ao longo dos anos, mais digno, adequado, menos poluente visualmente e praticamente de mesma eficácia contra chuva e insolação , sendo estruturas móveis e soltas, ao contrário de uma construção permanente e em proporções obviamente impactantes; e em segundo, sabe-se que pela posição geográfica e pelo volume de chuvas e ventos  na região não será essa estrutura que resolverá a questão.
Assim sendo, considerando ainda que proporção e harmonia são critérios essenciais em áreas e prédios históricos, exigindo-se que sejam discretas e reduzidas ao mínimo, respeitando a ênfase às edificações históricas, a AAPBEL protocolou ofício junto à FUMBEL e IPHAN, bem como apresentou representação junto ao Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual,  solicitando o embargo imediato da obra e sua submissão à nova análise mais criteriosa, buscando uma solução mais adequada que garanta sobretudo a preservação do nosso patrimônio e o direito ao usufruto da  paisagem por parte dos cidadãos de Belém.



2 comentários:

  1. Oi Jorge! Tão absurdo quanto, mas um erro não justifica outro né?
    Mas quanto ao Mercado a nossa sorte é que a Prefeitura busca investidores para restaurar e depois privatizar e dificilmente encontrará um empreendedor disposto à investir para depois explorar, diferente da SECULT que está agindo como o Paulo Chaves que está usando recurso publico para dotar de infraestrura e entregar para privatização.

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